Fiquei um tempo olhando pra folha em branco. O que escrever? O que passar para o papel? Sentimentos? Estou a procura deles. Escrever sobre a falta de sentimentos que assombra a minha semana não seria uma boa idéia, até porque nunca uso a primeira pessoa em meus textos. Talvez seja receio, medo, pavor, pânico! Pânico da opinião alheia, pânico dos olhares maldosos que vão ficar sabendo de tudo que se passa ou não dentro da minha cabeça, a minha "caixa preta", só minha. Talvez seja porque quando as pessoas lêem um texto na primeira pessoa, pré julgam que tudo que está escrito no texto está se passando realmente na minha vida, e ai pensam que estou passando por uma fase ruim, querem oferecer ajuda ou coisa do gênero, ou pensam "coitadinha, ela sofre tanto." Não! Eu não quero ajuda, obrigada. Estou bem assim. Não estou em uma fase ruim, falta-me apenas inspiração. Falta-me um pouco de sal na vida, tempero, cebola, alho, e outras coisas mais que deixam um sabor agradável na comida que sempre desanda. Pode ser tempero artificial tipo caldo Knnor. Pensando assim poderia existir "Knnor minha vida - garantia de vida perfeita ou seu dinheiro de volta." Mas quem disse que vida perfeita é bom? Quem disse que sal é bom? Sal em excesso retém líquidos o que me deixa inchada, causa hipertensão entre outros problemas de saúde. E perfeição em excesso... não sei as causas de perfeição em excesso, não sei se tem como existir excesso de perfeição, o perfeito já é perfeito por si só, não tem a necessidade de ser excessivamente perfeito, é perfeito e ponto final. Não sei como terminar esse texto, não sei se é a hora de terminar esse texto, nem sequer lembro do que comecei a escrever, acho que acabo de cometer a pior verborragia de toda minha vida, que por sinal não é muito longa. Sou tão jovem, tão pequena, tão insignificante, mas tenho tanto medo, medo dos olofotes, medo dos palcos da vida, medo de aparecer e descobrirem o quão frágil é o meu núcleo que é escondido por camadas e mais camadas de garota forte, que escreve sobre coisas que não existem, cria e recria textos com outros seres que ganham vida quando minha caneta encosta no papel, que não consegue sequer escrever sobre ela mesma. Camadas e mais camadas de corretivo, base e pó compacto para esconder a noite mal dormida porque sonhava acordada com coisas que não vão existir, tenho medo de sonhar dormindo, medo de me entregar e mergulhar no buraco negro e ir pro país das maravilhas, onde eu não tenha total controle da situação, e quando acordar não me lembrarei exatamente se foi um sonho ou não. Camadas e mais camadas... Não é falsidade, nem máscaras é auto-proteção. Auto-proteção contra sentimentos, tenho medo de sentir. Auto-proteção contra mim mesma. Auto-proteção contra o medo que me deixa cada vez mais burra e insegura. Não quero me auto-proteger, quero mergulhar de cabeça sem capacetes ou cabos de aço, quero sentir o vento balançando meus cabelos enquanto eu me jogo no desconhecido, mergulho sem galão de oxigênio em um oceano profundo e novo. Anseio pelo novo. Preciso do novo. Me alimento do novo.... Estou desnutrida.

0 leitores comentaram:
Postar um comentário