Tentou respirar normalmente. Tentou conter o descompasso das batidas de seu coração. Tentou amenizar o tremor das mãos e o pingar do suor frio em sua camisa engomada e bem alinhada.
Ajeitou minuciosamente o cabelo antes de sair de casa, pois este nunca permanecia no mesmo lugar por muito tempo. Mas ao chegar lá já não mantinha a mesma perfeição da que via no espelho em sua casa. Conteve a respiração, encheu de ar os pulmões, segurou as flores com força na mão esquerda e com a direita bateu na porta.
toc-toc, toc-toc.
Pode ouvir os passos apressando-se até a porta. Aquela espera pareceu-lhe uma eternidade. Enquanto esperava tremia, suava, sonhava ... Sonhava em ver o rosto da amada. Sonhava em sentir seu abraço forte ao vê-lo. Sonhava em senti-la em seus braços, indefesa, dependente, protegida. Sonhava em sentir seu cheiro, seu toque, seu amor. Sonhava com o abrir da porta e o sorriso inocente nascendo no rosto delicado e frágil.
A porta se abriu.
Ele sorriu ao vê-la deitada. Seu coração batia ainda mais rápido, descompassado, desritmado. Colocou as flores sobre o criado que havia ao lado da cama. A tomou em seus braços fortes. Ela sorriu. Uma lágrima sincera escapuliu de seus olhos e percorreu todo o seu rosto. A esperou por tanto tempo, a desejou e a amou antes mesmo que ela pudesse vê-lo. E agora a tinha em seus próprios braços, a possuia, a amava como nunca amou ninguém no mundo inteiro.
Um momento único. Seu tremor cessou. Agora precisa de forças para protege-la. Precisa de forças para lutar por ela, um ser tão pequeno e indefeso, uma jóia tão rara e tão frágil, uma vida tão inocente e pura, um amor eterno e incomparável. O amor de sua vida. Sua filha.
Quem vos escreve:
Caroline Marino

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