Quando deu 00:01 ele começou a olhar pela janela, prestar atenção no celular e no telefone que a qualquer momento poderiam tocar. Ele esperava a surpresa que tanto sonhava. "É hoje! É hoje! É hoje!" exclamava ele com uma assustadora animação. E depois de duas horas acordado esperando a surpresa resolveu dormir. Ele tinha certeza que não fariam serenata em plena madrugada, era muito óbvio, clichê demais.
Depois de dormir mal, pois acordava várias vezes durante a noite prestando atenção à qualquer barulhinho suspeito, levantou-se no horário habitual, fuçou a caixa de correio, o e-mail, as redes sociais... nada. Nada além de contas, e-mail carregados de vírus, e recados coletivos em seus scraps.
Mas mantinha a esperança. Esperava uma grande surpresa. Informou então ao porteiro sobre a festa surpresa que esperava, e autorizou a entrada de qualquer um ao seu apartamento, "Eles irão arrumar a festa, fique com a chave, e a entregue a quem vier." O porteiro não entendeu nada, mas guardou a chave em uma de suas gavetas. E saltitando o homem foi em direção ao seu carro, olhou se tinha alguma carta ou coisa do gênero em seu parabrisa, mas lá não havia nada.
Então ele seguiu para o trabalho, no carro não parava de olhar para o celular, seguiu todo o percurso observando os outdoors, "Podem ter feito um pra mim." Pensava ele. Mas nada... Nada além de mulheres bonitas e frases chamativas que te fazem necessitar naquele produto, na maioria das vezes desnecessário. E o celular nunca esteve tão silencioso.
Chegou ao trabalho, sorriu para a recepcionista esperando alguma coisa, mas nem um sorrisinho forçado ela retribuiu. Entrou no elevador, sorriu para as pessoas. Foi ignorado. Chegou ao seu andar, nada de balões e cartazes como esperava. Nada de abraços e beijos.Começou a perder as esperanças. Trabalhou como todos os dias. Almoçou e jantou sozinho em um restaurante entre o trabalho e a sua casa. Depois disso seguiu pra casa.
Estacionou o carro, pegou a chave com o porteiro, subiu alguns lances de escada e...
Ao abrir a porta...
Não havia ninguém em seu apartamento, nem um bolo, nem um bilhete. Nada... nada...nada...
Ficou tão triste o pobrezinho. "Ninguém lembrou..." lamentava-se.
Deitou-se na cama, tirou os sapatos apertados e suspirando disse pra si mesmo: "Esse é o pior dia do datilógrafo de toda a minha vida."
Quem vos escreve:
Caroline Marino
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